domingo, 24 de junho de 2007

Um blog para cada professor

Texto que saiu na revista Época de 25/06/2007.
Disponível em: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG77756-6077-475,00.html

Um blog para cada professor
NOSSA BÚSSOLA

por Ricardo Neves

O e-mail do leitor Stefanuto Rodrigues me traz suas inquietações:

“Tenho lido matérias sobre criatividade, inovação e mudanças no mundo de hoje, mas fico sempre pensando: será que não estamos dando muita atenção a algo que já deveria ser corriqueiro em nossas vidas? Será que, quando observamos as mudanças e falamos delas como fenômenos, não deixamos de participar do que realmente está acontecendo, nos colocando em uma posição de quem vê de fora o ‘problema’, em vez de nos sentirmos parte dele?”.

Stefanuto tem razão. Penso que realmente a maioria das pessoas tende a se colocar fora do “problema”. Porém, além da passividade, existe uma tendência crescente e mundial das pessoas de se sentirem vítimas da realidade. Isso, em minha opinião, é muito mais grave. Abrem-se novas avenidas de transformações todas as vezes que assumimos a ousadia de nos tornar mais co-responsáveis pela solução dos “problemas”, deixando de ser menos passivos e menos autovitimados.

Vejamos o problema da incapacidade da escola em acertar o passo com a absorção do computador e da internet como ferramentas de transformação da qualidade na educação. A digitalização de diversas áreas da atividade humana tem acontecido de forma assombrosa e positiva, mas a escola resiste. Ainda está mais para o tempo da palmatória que para o tempo da internet.

Podemos culpar apenas o sistema: governos e políticos deveriam roubar menos, ser mais eficientes e investir mais em educação. Isso é verdade. Infelizmente, não há solução satisfatória no curto prazo. Podemos propor o caminho das generosas boas intenções, como o projeto mundial “um laptop para cada criança”. Mas, de forma pragmática, penso que o foco certo, no lugar certo, é: o professor é quem precisa e pode acertar o passo em primeiro lugar.

Os professores, em especial os do ensino médio e sobretudo os de escolas particulares, onde estão os adolescentes que têm computador em casa, se sentem mal quando são confrontados com a intimidade e maestria de seus alunos com o novo mundo digital. Um amigo meu, professor do ensino médio, me confidenciou que, no fundo, a atitude da maioria de seus pares contra as ferramentas e os processos digitais do conhecimento traduz uma mistura de profunda má vontade, ressentimento e medo.

Professores e alunos são, na verdade, parte do problema e da solução. Ao ensino médio se dedicam no país pouco mais de 500 mil professores. Eles são responsáveis por 5 milhões de alunos adolescentes. Desses, na rede particular estão 1 milhão de estudantes e 116 mil professores.

No surpreendente Brasil já se pode comprar computador zero-quilômetro por menos de R$ 1.000. São vendidos 8,3 milhões deles anualmente e 22,1 milhões de brasileiros navegam no ciberespaço a partir da residência. Nas cidades, os custos de ter uma máquina e conseguir recursos e capacitação para ser proficiente em navegação na internet, incluindo criar um blog, são, convenhamos, modestos e acessíveis. Incluído aí o meio milhão de professores do ensino médio. Afinal, 481 mil destes têm diploma de curso superior.

Não se exclui a alternativa de transformar a política pública de educação, mas existe aí um desafio de atitude individual a tomar, caro professor. E não é proposta de revolução. Que tal se, antes de ter “um laptop para cada criança”, fôssemos, dentro de um par de anos, o primeiro país do mundo onde todo professor do ensino médio tivesse o próprio blog e fosse capaz de usá-lo como ferramenta de sua missão? Com a palavra, o professor.

RICARDO NEVES
é consultor de empresas e escreve quinzenalmente em ÉPOCA. É autor do livro O Novo Mundo Digital: Você já Está Nele - Oportunidades, Ameaças e as Mudanças Que Estamos Vivendo.
www.ricardoneves.com.br
rneves@edglobo.com.br
http://www.ricardoneves.globolog.com.br/

sexta-feira, 22 de junho de 2007

C@lice Cibernético

Informação-transformação

Os seres humanos sempre estiveram em constante transformação, mas nunca tão rápidas e radicais como no mundo tecnológico de hoje. Inseridos nesse contexto de informação-transformação, os agentes do processo educacional só significarão as atividades pedagógicas, se estas também estiverem em constante evolução e integradas com as tecnologias de informação e comunicação.

Maria Inês Simões, escritora e poetisa, inspirada pela Internet, construiu o poema "C@lice Cibernético", conquistando em 1998 o 1º Lugar no Concurso Municipal de Bauru e Região - Patrocinado pelos Correios (ECT).

Deixo aqui, para quem gosta de poesia, o poema que reflete sobre a invasão do computador em nossas vidas e as transformações que impôs nas relações humanas.

C@lice Cibernético

@to – I


Oh...

Telepática Apática Cibernética.

Procura-se um único Ser constante

neste universo de Informação-Transformação.

No visor... Vejo um Computador.

Processando dados...

A boca molhada beija a tela fria...

Em frente da mente que...mente descrente.

Mãos... suadas teclam botões

ao invés de um corpo.

Um certo Corpo...distante.

No exato momento declarado presente...

Online...Offline.

Formato...

Perdido de frente ao nada...

Tudo Observo...

@to – II

Brincas com vidas

Depois esquecidas

Em tempo Cibernético.

Mente. Navegas em naus

Diferentes... Qual mente

Em mentes. Inventas ilusões

Presentes. Criança perdida

Bastarda num mundo Ser

“Salvas”Emoções. Te vejo

Em espaço e tempo

De antíteses

“Só mente”

antíteses

Universo

Inverso

De um

Verso.

C @ lice

C @ lido

...Verso...

..Calado..

No Espaço

E eu @ ...........

Observo Uma ilha...

@to – III

Ilha... Navegas sob pressão.

Paixão...

Sem tempo descobre que o instante

é pura ilusão de SERES E SERES.

Em busca de perfeição.

Telepática. Apática. Cibernética.

Na mente que mente Ilusão.

Procuras em vão. Antíteses...

...e eu. Em Constante...

Contraste... Com tudo...

Neste Mundo Encontro...

O nada. Procuro...

Perdidas Ilusões...

Não existe mais um único SER constante

neste imenso universo

Online... Offline

Só... Observo...

Ilhas...que navegam..

segunda-feira, 18 de junho de 2007

ALGUMAS EXPERIÊNCIAS COM BLOG EM SALA DE AULA


O uso pedagógico da ferramenta de publicação de textos na Internet tem crescido em vários países. No Brasil, embora em ritmo não tão acelerado, o mesmo acontece. Conheça algumas experiências com blogs na sala de aula e as contribuições que o uso dessa ferramenta pode trazer para o ensino e a aprendizagem. Para isso acesse o link: www.sinprosp.org.br/especiais.asp?especial=108&materia=287 e leia o artigo Blog na sala de aula de Priscilla Brossi Gutierre. Nele você vai encontrar a utilização do blog na Educação em experiências as mais diversas realizadas por várias instituições educacionais.

Vale a pena ver. Confira e depois deixe aqui seu comentário sobre as experiências que você considerou mais ou menos interessantes.

IMAGINAÇÃO É O LIMITE


Democráticos, os blogs, a exemplo do MSN Spaces, inteiramente gratuito, podem e devem ser utilizados por professores como complemento ao ensino de todas as matérias, do ensino infantil ao superior. Produção de textos, narrativas, poemas, análise de obras literárias, opinião sobre atualidades, relatórios de visitas e excursões de estudos, publicação de fotos, desenhos e vídeos produzidos por alunos - tudo é possível por meio do blog. Para Jarbas Novelino Barato, professor de Tecnologia Educacional do Senac-SP e autor de diversos livros na área, tudo depende da imaginação do educador na hora de propor as atividades. "É um espaço muito interessante, autoral. Os alunos se sentem orgulhosos e querem realizar bons trabalhos, que sejam valorizados pelos outros. Se o professor souber aproveitar, poderá ter ótimos resultados", explica.
Fonte: http://www.microsoft.com/brasil/educacao/parceiro/blogs_na_educacao.mspx

CRIE JÁ O SEU


Com tantas possibilidades pedagógicas, não dá para ignorar o quanto os blogs e fotologs podem contribuir positivamente no processo ensino-aprendizagem e aumentar a comunicação dos educadores e alunos. Siga nossas orientações e crie o seu agora mesmo! Capriche na proposta da atividade. Ela deverá ser bastante atraente, para que os alunos se sintam motivados a pesquisar e publicar. Trata-se de um blog colaborativo (todos os alunos participam), individual ou em grupos? Veja também se irá avaliá-los pelo blog e avise quais critérios serão observados. Publique textos complementares, dicas de links, imagens e notícias relacionadas ao assunto com freqüência, para movimentar os debates no blog. Estimule a criatividade de seus alunos, permitindo que se manifestem sem muitas restrições. Aproveite o espaço virtual para ampliar debates que ficaram de fora na sala de aula. Mas lembre-se: o mais importante para o sucesso da empreitada é que alunos e professores se sintam à vontade com o novo recurso à disposição. Aproveite o momento - é hora de blogar! Fonte: http://www.microsoft.com/brasil/educacao/parceiro/blogs_na_educacao.mspx Em seus comentários dê sugestões de atividades para serem desenvolvidas utilizando o blog como ferramenta.

BLOG FERRAMENTA INTERATIVA: UM POUCO DE HISTÓRIA E SITES HOSPEDEIROS


Qual é o significado da palavra blog? O termo webblog se originou da junção da palavra web (tecido, teia, o ambiente da Internet) e log (diário de bordo). É uma espécie de diário virtual. Sua origem deriva deste tipo de aplicação, ou seja, jovens divulgavam seus interesses e experiências vividas no cotidiano no diário da internet. Segundo o professor da Faap Eric Eroi Messa, o blog surgiu em 1999 com a criação do site http://blogger.com, que passou a oferecer o serviço de criação gratuita de blog. Esta ferramenta virtual foi rapidamente difundida.Hoje em dia existem blogs de jornalistas, artistas, professores, pesquisadores, esportistas. Para criar um blog de maneira gratuita busque http://www.blogger.com, http://weblogger.com.br ou http://blig.ig.com.br. Assinantes do UOL podem fazer gratuitamente um blog no http://blog.uol.com.br. O hospedeiro http://www.blogger.globo.com restringe seu uso para os assinantes do portal Globo. Basta ser membro da Comunidade IG para, gratuitamente, criar um blog no http://www.blig.com.br. Para buscar o assunto do seu interesse pessoal use o serviço de busca do Google http://blogsearch.google.com. Gostou das dicas? Vamos bloggar?

SALA DE AULA INTERATIVA


O uso pedagógico da ferramenta de publicação de textos na Internet tem crescido em vários países. No Brasil, embora em ritmo não tão acelerado, o mesmo acontece. Conheça algumas experiências com blogs na sala de aula e as contribuições que o uso dessa ferramenta pode trazer para o ensino e a aprendizagem. Para isso acesse o link: www.sinprosp.org.br/especiais.asp?especial=108&materia=287 e leia o artigo Blog na sala de aula de Priscilla Brossi Gutierre. Nele você vai encontrar a utilização do blog na Educação em experiências as mais diversas realizadas por várias instituições educacionais.

Vale a pena ver. Confira e depois deixe aqui seu comentário sobre as experiências que você considerou mais ou menos interessantes.

MÓDULO 2.1 - Você conhece o Rafinha?


A tecnologia invadiu nosso cotidiano. Hoje muitas crianças não sabem o que é assistir uma televisão com apenas 7 canais. O Rafinha talvez seja um extremo, mas com certeza você deve conhecer algum aluno semelhante. Clique na imagem ao lado e conheça um Rafinha, e depois nos escreva: Quem é o seu Rafinha?

MÓDULO 2.1 - Ferramentas para o uso educativo


São várias as ferramentas que as tecnologias da informação oferecem para o uso em projetos educacionais. Assim como existem diversos sites que podem suportar atividades educativas. Pesquise na barra de links ou clique na figura, escolha uma ferramenta e comente os motivos de sua escolha.

domingo, 17 de junho de 2007

MÓDULO 2.1 - Trabalho colaborativo

Você já ouviu falar em trabalho colaborativo? Tele trabalho? O Globo reporter fez uma matéria sobre esse tema. Veja a matéria e leia o texto sobre um ambiente colaborativo. Responda: você acha possível se criar um ambiente colaborativo de aprendizagem? Quais as diferenças com o mundo do trabalho?

SALA DE AULA DO SÉCULO XXI


Um artigo publicado no Link do Estadão mostra a rotina de uma personagem ficcional, que transita nas novas tecnologias de informação e comunicação de forma bem natural: blog, orkut, podcast. O autor comenta que ainda existem escolas que utilizam somente a lousa e o giz no dia-a-dia com os alunos, e outras que buscam novos recursos tecnológicos com o objetivo de tornar a sala de aula mais atrativa. Para ler o artigo acesse o link: http://www.link.estadao.com.br/index.cfm?id_conteudo=10573

Deixe seu comentário: "de que forma a tecnologia pode favorecer o processo de ensino e aprendizagem na escola do século XXI?

CONCEPÇÃO CONSTRUCIONISTA


Concepção construcionista da educação:
• aprendizagem é o foco central;
• professor: criador de ambientes de aprendizagem, mediador e facilitador;
• autoridade compartilhada;
• aluno: sujeito do processo de aprendizagem;
• construída no processo, na interação entre sujeitos, objetos e meio;
• conhecimento em rede;
• avaliação do processo;
• currículo flexível.

Visão construcionista no uso do computador:
• aprendiz constrói o seu próprio conhecimento;
• computador é o suporte;
• aluno ensina o computador por meio da exploração, interação, investigação e descoberta;
• professor mediador;
• descrição-execução-reflexão-depuração-descrição.

Faça uma pesquisa e descreva uma experiência educativa embazada nesta concepção.








CONCEPÇÃO INSTRUCIONISTA


Visão instrucionista na educação:
• professor transmissor do conhecimento;
• relação hierárquica;
• aluno passivo;
• transmissão;
• quantidade e repetitividade;
• avaliação do resultado;
• currículo pré-determinado.


Visão instrucionista no uso do computador como ferramenta de suporte de ensino e aprendizagem:
• foco na transmissão;
• no armazenamento;
• o conteúdo é ordenado de forma linear e progressiva;
• reforço;
• transfere para o computador a tarefa de ensinar;
• tutorial, exercício-e-prática, jogo e simulação.

Leia o texto e deixe seu comentário : "Qual é o papel do computador nesta abordagem?"

Texto: Informática na Educação: Instrucionismo X Construcionismo de José Armando Valente http://www.sinpro-rs.org.br/paginasPessoais/arquivos/Prof_244/Informática%20na%20educação-instrucionistaxconstrucionismo.doc

Conversando sobre Plágio e Direitos Autorais

Quando falamos sobre produção de conteúdo via internet uma questão importante vem a tona: o plágio e os direitos autorais.

Abaixo eu coloco um texto apresentado no curso "Educação a Distância na Prática" que trata deste tema de maneira interessante.

Universidade em tempos de plágio

Bruno Garschagen

29.01.2006 | Plagiar nunca foi tão fácil e freqüente nas universidades brasileiras, principalmente depois da popularização da internet. Os professores universitários são obrigados a duvidar de todos os trabalhos entregues pelos alunos. "O plágio nas universidades se tornou uma pandemia", lamenta Lécio Augusto Ramos, professor de metodologia da pesquisa do curso de Comunicação Social da Universidade Estácio de Sá e orientador de trabalho de conclusão de curso da cadeira de Cinema e Vídeo da Universidade Federal Fluminense (UFF).

Segundo ele, há um grande processo intenso de apropriação indevida de frases, parágrafos e até trabalhos inteiros nos cursos de graduação e pós. Embora exista uma legislação especifica sobre direitos autorais e o Código Penal estabeleça punições, a cópia se torna cada dia mais comum entre os estudantes. "O plágio intelectual é indefensável e está presente em todos os níveis, do jornalismo à academia", ressalta Lécio.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a cópia também tem sido detectada de forma freqüente. Ana de Alencar, professora de Teoria Literária da Faculdade de Letras da UFRJ, conta que o tema se tornou recorrente nas conversas entre os professores, que aplicam nota zero quando identificam o furto teórico. Ana, no entanto, não dramatiza a questão. Acha que o desenvolvimento tecnológico provocou uma revisão do debate sobre direitos autorais. Mesmo assim, considera o plágio inaceitável.

Ruim como certos chopes

Rosa Benevento, coordenadora do departamento de Comunicação Social da UFF, que engloba os cursos de jornalismo, publicidade e cinema, revela que, tão grave quanto o plágio, foi descobrir que a cópia, em muitos casos, não ocorre exatamente por má-fé, mas porque o aluno aprendeu a plagiar no ensino médio: "Isso me alertou para o tipo de ensino de pesquisa e elaboração de trabalho que esses alunos estão aprendendo antes de chegar à faculdade. Isso é muito preocupante", avalia.

Rosa conta que a identificação cada vez mais regular de trabalhos com plágios obrigou a faculdade a realizar palestras de orientação sobre o assunto. "A idéia é mostrar para eles que o mais importante é criar e não copiar". Para os alunos, copiar é preciso. Exercitar o intelecto, nem tanto.

Seja por desconhecimento ou má-fé, o fato é que nunca se viram na história do ensino brasileiro tantos plágios identificados, segundo os professores entrevistados. A maioria dos alunos ignora ou finge não saber que a cópia sem citação da fonte tem conseqüências jurídicas nas esferas civil e penal.

O advogado Rodrigo Borges Carneiro, especialista em direitos autorais e propriedade intelectual, diz que o plágio configura o crime de violação dos direitos do autor, tipificado no artigo 184 do Código Penal. O plagiário pode ser condenado a pena de detenção de três meses a um ano, ou multa. Caso a violação consista "em reprodução total ou parcial, com intuito de lucro direto ou indireto, por qualquer meio ou processo, de obra intelectual, (...) sem autorização expressa do autor, (...) ou de quem os represente", a pena será de "dois a quatro anos de reclusão, e multa".

A lei de direitos autorais (9.610/1998), que regula a matéria, estabelece que "ninguém pode reproduzir obra que não pertença ao domínio público, a pretexto de anotá-la, comentá-la ou melhorá-la, sem permissão do autor" (artigo 33). O artigo 7 da lei define as obras intelectuais protegidas pela lei (os textos de obras literárias, artísticas ou científicas, obras dramáticas, composições musicais etc.) e o artigo 22 diz que os direitos morais e patrimoniais sobre a obra criada pertencem ao autor. É óbvio, mas é a lei, que, não raro, é óbvia.

Direito autoral, na definição de Henrique Gandelman no livro "O que você precisa saber sobre direitos autorais", "é a proteção jurídica das formas de expressão originais e criativas, tanto de idéias como de conhecimento e sentimentos humanos". Mais claro do que isso, só chope de má qualidade servido em certos barzinhos da predileção dos universitários.

O uísque como padrão

No Brasil, os direitos do autor foram reconhecidos legalmente pela primeira vez em 1891, com a primeira constituição republicana. A matéria passou a ser regida pelo Código Civil a partir de 1917, mas em 1973 entrou em vigor uma lei específica (lei 5.988). Atualmente, como já dito, os direitos autorais são regulados pela lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Além das normas internas, o país aderiu a cinco tratados internacionais que protegem a propriedade intelectual: Convenção de Berna; Convenção Universal; Convenção de Genebra; e Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual relacionados ao Comércio (TRIPs).

O conceito de copyright, porém, é bem mais velho. Surgiu na Inglaterra mais de um século antes da inserção da matéria na constituição brasileira. Foi durante o reinado da rainha Ana, mais precisamente em 1709, que se elaborou o Copyright Act, segundo Gandelman em seu livro sobre direitos autorais.

A coroa passou a proteger por 21 anos, idade de um uísque de ótima qualidade, as cópias impressas de determinadas obras registradas formalmente. As obras não impressas eram protegidas durante 14 anos, pouco mais do que o padrão de um scotch mais do que razoável. Até então, sob a vigência do Licensing Act, de 1662, só os editores comiam o pirão. Os autores chupavam dedo.

Na França, os autores conseguiram fazer valer seus direitos no final do século XVIII. A Revolução Francesa em 1789, que, além das decapitações, teve na defesa dos direitos individuais uma de suas marcas mais significativas, foi o estopim para que o conceito do copyright inglês fosse incorporado à legislação do país de Rabelais.

De lá para cá, a legislação foi se aperfeiçoando no mundo ocidental. E, em 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU), na assembléia geral realizada em 10 de dezembro, inseriu na Declaração Universal dos Direitos Humanos que todo homem tem "direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção literária, artística ou científica de qual seja o autor" (artigo 27, parágrafo 2).

Aranhas em teia alheia

Desde a popularização da internet, o uso muitas vezes indiscriminado do conteúdo disponível na rede gera debates intermináveis sobre a propriedade intelectual e sua proteção legal. Estabeleceu-se a confusão (para alguns, uma certeza inabalável) de que os textos disponíveis para leitura e consulta pudem ser reproduzidos ad nauseam sem ao menos um pedido de permissão por e-mail - que dirá remuneração. Quem escreve sabe que, na world wide web, as aranhas se incumbem de espalhar a teia alheia.

E se os internautas estão se criando e sendo criados sob a mentalidade do desrespeito com a proteína mental alheia, alguns intelectuais referendam a velhacaria e estimulam o crime.

Pierre Lévy, popstar do pensamento sobre o mundo digital, teve a desfaçatez de escrever no seu livro "O que é virtual" que a "distinção do original e da cópia há muito perdeu qualquer pertinência" na internet. Ele acha que "não há mais um texto, discernível e individualizável, mas apenas texto, assim como não há uma água e uma areia, mas água e areia".

Se o pecado fosse apenas a obviedade, tudo estaria resolvido. Mas o problema é de outra ordem. E muito mais grave. Lévy quer vender a idéia abjeta de que no espaço virtual não cabe falar em originalidade e autoria. O texto, como obra individual, se perderia num imenso sopão de letrinhas. Assim, não haveria razões para se estabelecer critérios de qualidade. Qualquer viúva de Bukowski seria colocada na altura de Philip Roth, para ficarmos em autores contemporâneos.

Lécio Ramos, professor da Universidade Estácio de Sá, atribui a quatro fatores o crescimento do plágio intelectual:

1- A deformação na formação educacional e intelectual de alunos, professores e demais profissionais da área;

2- A diluição ética do que é e do que não é lícito fazer;

3- A facilidade trazida pela internet, que coloca à disposição, em escala geométrica, muitos textos para quem quiser copiar;

4- A falta de tempo e pressão para produzir trabalhos.

Amigo e alcagüete

D.G, aluno de direito na UniverCidade no Rio de Janeiro, diz que 90% dos trabalhos que entregou na faculdade são plagiados de textos disponíveis na internet. O acadêmico revela que copia pela praticidade, agilidade e certeza de que assim terá um trabalho de melhor qualidade do que se fizesse por conta própria.

E sobre o aspecto ético e legal, tão caros ao direito? "Na verdade, nunca parei para pensar nisso. Quase todos os meus colegas na faculdade também copiam da internet ou copiam trabalhos que foram feitos assim", diz D.G. "Mas sei que o maior prejudicado serei eu mesmo."

O plágio se tornou um problema tão sério que os professores universitários ouvidos por NoMínimo defendem a adoção imediata de um trabalho pedagógico de conscientização e o ensino mais eficaz de como pesquisar e usar as fontes de informação. Ana Alencar, da UFRJ, acha fundamental seduzir o aluno despertando-lhe o interesse pelo desenvolvimento intelectual. E ela não propôs chopada nem churrasco, mas aulas dinâmicas.

Rosa Benevento, da UFF, diz que os professores podem coibir o plágio acompanhando o desenvolvimento do aluno. "Conhecendo o aluno, é possível perceber imediatamente se o trabalho que ele produziu está de acordo com sua formação e rendimento."

Lécio Ramos, da Estácio de Sá, acha que esse é um dos caminhos, mas lembra aos professores que consultar um programa de metabusca também é importante para verificar a origem da cópia. Na maioria das vezes, o Google denuncia imediatamente a fonte do furto intelectual. O programa criado por Sergey Brin e Larry Page é, ao mesmo tempo, grande amigo dos plagiários e o mais eficiente alcagüete dos jovens criminosos.

Amigo e alcagüete

Há três tipos muito comuns de plágio, segundo o professor da Estácio de Sá:

- plágio integral - a transcrição sem citação da fonte de um texto completo;

- plágio parcial - cópia de algumas frases ou parágrafos de diversas fontes diferentes, para dificultar a identificação;

- plágio conceitual - apropriação de um ou vários conceitos, ou de uma teoria, que o aluno apresenta como se fosse seu.

Muitos alunos, para engabelar os professores, deixam para entregar os trabalhos no fim do prazo na esperança de que o acúmulo de textos para corrigir impeça a descoberta do plágio.

Uma dica para não copiar por erro ou ignorância (excluindo a má-fé) é seguir as recomendações de Umberto Eco no livro "Como se faz uma tese em ciências humanas". O professor italiano cita exemplos bastante claros de uma "paráfrase honesta", "uma falsa paráfrase" e uma "paráfrase textual que evite o plágio". Ali está o caminho das pedras.

O plágio ampliou as responsabilidades do professor, que, pela regularidade com que encontra trechos copiados, opta por aplicar uma nota zero ou solicitar ao aluno que refaça corretamente o trabalho. Alguns são diretamente encaminhados ao departamento responsável para as devidas punições, que começam com uma advertência e podem culminar na expulsão da universidade.

E se engana quem acha que só os alunos se valem do plágio. "Tivemos casos aqui até de professores plagiando trabalhos de outros professores", revela Rosa Benevento, da UFF. Um dos casos mais notórios, que não envolve internet, foi apontado pelo diplomata José Guilherme Merquior, intelectual de primeira e uma espécie de pitbull das polêmicas. Num texto para a "Folha de S. Paulo" em julho de 1989, Merquior revelou a "desatenção" da professora de filosofia Marilena Chauí ao inserir vários parágrafos do pensador francês Claude Lefort, sem citar a fonte, no seu livro "Cultura e democracia".

O filósofo Roberto Romano, num texto para o "Correio Popular" de setembro de 2005, lembra que "movido pela piedade e diante dos lamentos dramáticos por ela encenados", tentou defendê-la. E levou "merecidas pauladas de Merquior". Romano revela que um figurão "importantíssimo no Panteão da esquerda", único a não se sentir indignado com Merquior, "disse clara e distintamente: Ela colou". Lefort, professor e amigo de Marilena, tentou publicamente salvar a aluna da acusação, mas Merquior não havia deixado abertura para refutações.

Nenhuma instituição está salva do plágio e os alunos passaram a ser tão suspeitos quanto o mordomo dos romances policiais. E, se a cara de pau dos plagiários não tem nada de virtual, a velha assassinada não é mais uma vovozinha rica, mas o presente e o futuro intelectual de uma nação.
Fonte: http://nominimo.ibest.com.br/notitia/servlet/newstorm.notitia.presentation.NavigationServlet?publicationCode=1&pageCode=54&textCode=20715&date=currentDate&contentType=html


Para quem quiser saber mais:

Visitem o site da Casa Civil do Governo Brasileiro para conhecer a Lei que regula os Direitos Autorais: http://www.planalto.gov.br/ccivil/LEIS/L9610.htm

VISÃO HISTÓRICA: A INTRODUÇÃO DA INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA


As primeiras experiências como uso de computador na escola datam da década de 50. No entanto, a introdução do computador na escola, não reverte em melhor qualidade de ensino e aprendizagem.
Na adoção de computadores e de recursos multimeios, torna-se necessária a reflexão sobre questões educacionais abrangentes, como: a filosofia da escola, a concepção de educação adotada, o que se entende por processo de ensino e aprendizagem, qual é o modelo de avaliação usado, qual é o papel do professor e do aluno neste percurso, como o sujeito aprende?

Leia o texto e deixe seu comentário: "Com quais princípios educacionais a informática foi introduzida no Brasil?"

Texto: Informática na Educação no Brasil: Análise e Contextualização Histórica de José Armando Valente
http://www.nied.unicamp.br/~dafe/download/cap1.doc





sábado, 16 de junho de 2007

A escolha do grupo 6 do curso EAD





"A Internet na sala de aula – O uso do Blog e de outras ferramentas interativas como apoio à pratica pedagógica no Ensino Médio"
O fazer pedagógico da escola, na sociedade de informação, não pode continuar seguindo os princípios educacionais da prática tradicional de ensino. O professor tem que assumir nova postura, redefinir seu papel, rever seus pensamentos, valores e adquirir novas competências. Essa mudança é paradigmática. Conceber a educação de maneira construtiva envolve repensar o que é aprender e ensinar; abranger múltiplas formas de conhecimento; favorecer a interação entre as pessoas; e preocupar-se com princípios de valores e de ética. Ambos, alunos e professores, precisam tornar-se atores, autores e co-autores neste processo de construção do conhecimento.
Diante dessas novas demandas da Educação, a Internet surge como uma ferramenta preciosa para auxiliar os educadores em sua ação renovadora. A rede serve como suporte para o desenvolvimento pessoal e profissional do educador. Através dela, é possível ter-se acesso a um grupo de pessoas, presentes ou não no mesmo espaço e ao mesmo tempo, e, com elas, construir e trocar conhecimentos. Nesse sentido, a tecnologia torna-se uma grande ferramenta para a formação de docentes na abordagem educacional construcionista. Na rede, o educador tem acesso à atualização pedagógica, que o instiga a criar situações de aprendizagem, refletir, depurar e inovar sua própria prática, de acordo com a realidade educacional e recursos pedagógicos existentes na comunidade escolar à qual pertence.
No entanto, muitas vezes, professores, embora conscientes das concepções educacionais baseadas na interação, criação individual e coletiva do processo de ensino-aprendizagem, presentes na visão construtivista, e da importância da inclusão das ferramentas tecnológicas educacionais, desconhecem recursos e potencialidades da Internet. Outras vezes, incorporam o uso da tecnologia de forma limitada e sem uma postura crítica.
Não existem também, em grande parte dos cursos de formação de professores, disciplinas que preparem seus alunos para empregarem os meios midiáticos na prática pedagógica.
Assim sendo, é de muita importância um curso que ofereça a professores que atuam no ensino fundamental e médio da rede pública suporte para que encontrem novas didáticas e métodos, a fim de atender às novas necessidades da Pedagogia e dos avanços tecnológicos.